2017

Nesta edição, a FLUP homenageia o dramaturgo Oduvaldo Vianna Filho, o Vianinha. Artista múltiplo, inquieto e contestador, Vianinha fez teatro, televisão, cinema, jornalismo e crítica cultural. Conciliou magistralmente estética, ética e política em suas obras. Sempre conectado às questões sociais e humanas de seu tempo, fez de seu trabalho uma espécie de alfabetização política de toda uma geração.

Vianinha produziu intensamente até os 38 anos, quando cedeu a um câncer pulmonar. Embora breve, sua obra é eterna. De “Chapetuba Futebol Clube” a “Rasga Coração”; do CPC da UNE ao Grupo Opinião e daí à televisão, com a “Grande Família” (“eu também sou da família, eu também quero pirraçar”), ele foi a um só tempo popular e revolucionário, preocupado até o fim em mudar o mundo.

Durante o regime militar, algumas de suas peças foram censuradas – “Rasga Coração”, por exemplo. No nosso tempo, agora-agora, em que a sombra da censura volta com surpreendente força à pauta do dia, é mais que oportuno homenagear o artista, o homem, o ativista Vianinha. Quem sabe ele não manda um novo “Recadão”* para a nossa geração? Afinal, parece que ainda temos muito a aprender com ele. Viva, Vianinha!

* “Recadão” foi um polêmico episódio da primeira versão da “Grande Família”, no início da década de 1970, em que as personagens, impossibilitadas de se comunicar diretamente, deixavam recados pela casa que, uma vez encontrados, eram imediatamente censurados. Uma crítica complexa e irreverente à censura da época.